As comunidades LF Decentralized Trust (LFDT) DTGWG e OpenVTC demonstraram, na semana passada, em Praga, na Linux Plumbers Conference e no LF Open Source Summit EU, a primeira comunidade de confiança verificável (VTC) voltada a projetos de código aberto. A ideia é usar credenciais digitais assinadas para dizer, de forma verificável, quem faz parte de cada projeto e em quem se pode confiar.
O desafio partiu de Jim Zemlin, CEO da Linux Foundation, que há cerca de um ano e meio pediu aos membros da LFDT uma forma de proteger os projetos contra dois riscos crescentes: a injeção de malware e a avalanche de pull requests (PRs) gerados por IA. Ele argumentou que as soluções atuais, como a teia de confiança baseada em PGP/GPG usada pelo kernel Linux, já não dão conta, por serem lentas, difíceis de usar e pouco escaláveis.
A resposta foi um novo modelo chamado grafo de confiança descentralizado (DTG). Nele, cada grupo, de uma família a uma empresa, pode ter uma comunidade de confiança, e cada membro tem um agente de confiança, uma espécie de gêmeo digital que guarda suas chaves, seus DIDs e suas credenciais. Esses agentes conversam entre si por protocolos padronizados chamados tarefas de confiança, cujos padrões abertos são definidos pelo grupo DTGWG.
O modelo se apoia em três tipos de credencial. As credenciais de relacionamento trocadas entre membros que se conheceram pessoalmente, como mantenedores que assinam as chaves uns dos outros. As credenciais de membro, emitidas pela comunidade para quem cumpre as regras de entrada. E as credenciais de delegação, que permitem provar que um agente de IA age em nome de uma pessoa, por exemplo ao abrir um PR. As regras de governança de cada comunidade podem ser escritas em Rego, a linguagem do Open Policy Agent (OPA).
Na demonstração, Glenn Gore, líder do OpenVTC e CEO da Affinidi, mostrou como criar uma comunidade para um projeto de exemplo, e a equipe do Harvard Applied Technology Lab mostrou o app móvel de código aberto Keyring trabalhando junto com o OpenVTC. Para quem contribui, o agente pode configurar a conta em qualquer plataforma de hospedagem de código e enviar PRs assinados automaticamente. Para quem mantém o projeto, o agente pode verificar se o PR veio de um membro confirmado ou de uma IA por ele autorizada, e fechar automaticamente os envios que não cumprirem isso, sem incomodar o mantenedor.
O público recebeu a demonstração com entusiasmo, e parte dele quis testar a solução em seus projetos já. Os responsáveis pretendem concluir o trabalho para criar uma rede de confiança verificável que funcione entre projetos da Linux Foundation e, idealmente, em todos os projetos de código aberto que sigam os padrões do DTG. A fonte não informa prazos para essa conclusão.

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