A TeamViewer corrigiu uma falha de segurança que permite à máquina controlada em uma sessão remota atacar o computador que se conectou para controlá-la. Na ferramenta, quem conecta e assume o controle é o visualizador (viewer), e a máquina controlada é o host. Ou seja, a falha inverte a lógica normal: quem está sendo controlado pode atacar quem controla.
Segundo a fonte, um host malicioso ou comprometido pode explorar o problema para derrubar o TeamViewer do visualizador e, dependendo da plataforma, também executar código no computador dele. Isso só acontece depois que o usuário inicia uma sessão de controle remoto com esse host. A correção está na versão 15.83. A falha foi catalogada como CVE-2026-111585 e recebeu nota 8,8 de 10, na faixa alta. Ela afeta o TeamViewer Full Client para Windows, Linux e macOS, a versão portátil para Windows e o app Android Remote Control, em todas as versões anteriores à 15.83. O boletim não lista o Host, mas quem usa o Host também deve atualizar, pois a mesma atualização corrige outras duas falhas que o afetam.
O pesquisador Omri Dar, da empresa de segurança Remedio, publicou em 29 de outubro uma explicação técnica do problema. Em termos simples, a falha está no cálculo do tamanho da área de memória que o visualizador reserva para receber a imagem da tela do host. Quando esse cálculo estoura, a memória reservada fica pequena demais, e os dados da tela que chegam depois são gravados além do espaço disponível. No mínimo, isso trava a sessão, e o host pode repetir o travamento quando quiser.
No Windows, a Remedio afirma que conseguiu ir além: contornou as defesas nativas do sistema operacional e executou código escolhido por ela no computador do visualizador. A demonstração usou um componente auxiliar no host para fornecer parte dos dados do ataque, então ainda não é um ataque feito inteiramente pela rede. Esse resultado foi mostrado apenas no Windows; a fonte não informa se o mesmo vale para macOS, Linux ou Android.
Segundo o pesquisador, o ataque não exige senha nem clique extra além de aceitar a sessão, e funciona na configuração padrão do TeamViewer. Todas as versões anteriores à 15.83 são afetadas, inclusive a 15.82, lançada em setembro como atualização de segurança. Ou seja, quem atualizou no mês passado continuava vulnerável.
O que fazer: a única solução oferecida pela TeamViewer é atualizar para a versão 15.83 ou posterior, pois não há alternativa temporária indicada. A mesma atualização corrige outras duas falhas de alta gravidade, incluindo uma falha separada de execução de código que afeta Linux e macOS. Um boletim complementar do mesmo dia, TV-2026-1012, corrige seis falhas nos complementos de gerenciamento remoto, entregues por atualização automática.
A TeamViewer disse que, ao publicar a correção, não tinha conhecimento de ataques explorando a falha. Ela também não consta no catálogo de vulnerabilidades exploradas da CISA até a listagem de 29 de outubro. A Remedio não relatou ataques reais e não divulgou código de exploração. Mesmo assim, quem usa a ferramenta deve atualizar logo.

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