Duas empresas de análise de blockchain, a TRM Labs e a Chainalysis, afirmam ter informações robustas que apontam para o Lazarus Group, grupo de hackers ligado ao governo da Coreia do Norte, como provável autor do roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. O grupo também é conhecido como TraderTraitor. Segundo a TRM Labs, a identificação foi feita com alta confiança.

O caso se soma a uma longa lista de incidentes atribuídos ao país, que é um dos mais pobres do mundo e tem acesso à internet severamente restrito. Especialistas acusam o governo de Kim Jong Un de usar crimes cibernéticos para financiar o Estado, algo que Pyongyang nega há tempos. Em 2014, por exemplo, um ataque ao estúdio Sony Pictures, ligado ao filme The Interview, expôs milhares de e-mails constrangedores de executivos.

No ano passado, o FBI atribuiu à Coreia do Norte o roubo de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit. Segundo o órgão, o grupo converteu rapidamente os recursos roubados em Bitcoin e outros ativos digitais, para depois transformá-los em dinheiro vivo. Em 2022, hackers norte-coreanos também são suspeitos pelo roubo de US$ 620 milhões em criptomoedas.

No caso da Binance, a suspeita é de que agentes usaram uma autorização especial para transformar uma hot wallet, carteira digital conectada à internet, em uma que enviava fundos automaticamente ao atacante. A TRM acredita que o invasor obteve acesso ao sistema de assinatura dessa carteira. A Binance não respondeu diretamente às perguntas da BBC sobre possíveis ligações com a Coreia do Norte. A empresa inicialmente disse que o notebook de um engenheiro havia sido comprometido, mas depois afirmou que a invasão foi mais ampla. Segundo o co-CEO Richard Teng, a investigação encontrou pontos de invasão adicionais.

Um porta-voz da Binance disse na sexta-feira que cerca de 80% dos ativos roubados já foram recuperados, mas o restante segue sem paradeiro. A Chainalysis afirma que o invasor usou padrões de lavagem de dinheiro nunca vistos antes. Analistas também consideram plausível que ferramentas de inteligência artificial tenham sido usadas para invadir os sistemas, já que a IA tem facilitado a automação de crimes. Se as acusações forem confirmadas, o caso mostra o quanto grupos suspeitos de atuar para governos ficaram sofisticados.