Ontem, 18 de outubro, a Anthropic divulgou um relatório de sua equipe de testes ofensivos, chamada de red team, que descreve uma ameaça nova e concreta: um programa malicioso com IA capaz de se espalhar sozinho por smart TVs, os televisores conectados à internet, e também por outros aparelhos comuns.
Um worm é um tipo de malware que se copia sozinho de um aparelho para outro, sem que ninguém precise clicar em nada. Segundo os pesquisadores, o programa de teste dividiu partes de si mesmo entre 15 televisores e continuou funcionando usando um pouco da energia de cada um, já que sistemas de IA costumam exigir muito processamento.
O motivo da preocupação é que a segurança de smart TVs e de outros dispositivos da internet das coisas (IoT) costuma ser fraca e difícil de corrigir. Esses aparelhos recebem atualizações (patch) com menos frequência que celulares e notebooks. Os pesquisadores também disseram que um worm assim poderia continuar se adaptando a outros tipos de hardware, estudando falhas recém-divulgadas.
Especialistas ouvidos pela fonte têm visões diferentes. Alguns dizem que o risco é real e deve ser tratado como qualquer outra onda de ataques. Outros, como Juan Andres Guerrero-Saade, da SentinelOne, afirmam que o cenário ainda não é viável nem tão impactante. A própria Anthropic disse que um worm desse tipo precisaria de mais capacidade em aparelhos menos potentes, algo que, segundo a empresa, deve se tornar possível até o fim do ano. Uma pesquisa da Universidade de Toronto, publicada meses antes, já mostrou um worm de IA infectando um computador de tamanho normal.
Para se proteger, os especialistas citados afirmam que higiene básica de segurança, como senhas fortes e autenticação em dois fatores, bloquearia a maioria dos worms e de outros ataques. Na prática, manter os aparelhos atualizados e com senhas fortes continua sendo o principal cuidado, e o caso serve de alerta para o que pode vir com a IA.

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