A Sophos, empresa de segurança digital, publicou uma pesquisa mostrando que o grupo criminoso chamado GOLD OGRE, responsável pelo ransomware Aur0ra, usa inteligência artificial de forma intensa para planejar e executar invasões. Ransomware é um programa que sequestra os arquivos da vítima e cobra resgate para liberá-los.

Segundo os pesquisadores, o grupo usou o editor de código com IA Cursor para montar um arsenal de ataque e testar se ferramentas de detecção de ameaças, os chamados EDR, conseguiam ser driblados. Depois, os criminosos passaram a usar agentes de IA, que são programas capazes de tomar decisões e executar tarefas sozinhos, para avançar dentro das redes. Em alguns casos, a IA foi responsável por quase todo o processo, com os operadores humanos apenas fornecendo acessos, alvos e objetivos.

Os agentes buscaram credenciais, testaram formas de ganhar acesso de administrador de domínio, procuraram dados em compartilhamentos de rede, backups e armazenamentos na nuvem, e depois copiaram informações para um bucket S3, um tipo de depósito de arquivos na nuvem. Três das vítimas acabaram aparecendo no site de vazamento de dados do grupo. Pistas encontradas nos registros sugerem que os operadores falam russo.

A Sophos afirma ter notificado clientes potencialmente afetados e trabalhado com autoridades para avisar outras organizações atingidas. Também foram divulgadas pesquisas independentes da Gambit Security e da CloudSEK, que observaram o uso de modelos de IA de Anthropic, xAI e Moonshot nas invasões, além do Cursor.

Para se proteger, a recomendação é manter os equipamentos expostos à internet com correções aplicadas, usar autenticação em dois fatores resistente a phishing, acompanhar os alertas do EDR com rapidez e reduzir a movimentação dos atacantes dentro da rede, separando servidores críticos, isolando backups e revisando os privilégios de administrador de domínio. A Sophos também disponibilizou regras de detecção para essas atividades, mas a notícia não traz outras medidas específicas além dessas.