Uma juíza federal do norte da Califórnia decidiu que o WhatsApp não conseguiu provar que a empresa de spyware NSO Group descumpriu uma ordem judicial. Essa ordem exigia que a empresa parasse de usar a infraestrutura do aplicativo de mensagens para fazer ataques de espionagem contra clientes. A decisão foi tomada na sexta-feira e atende a um recurso que o WhatsApp apresentou em junho.

O WhatsApp, que pertence à Meta, queria que a juíza Phyllis Hamilton considerasse a NSO em desacato, uma espécie de punição por desobedecer a uma decisão da Justiça. A empresa afirmava que a NSO fazia ataques de spearphishing, um golpe em que a vítima é alvo de uma mensagem feita sob medida para ela. O spyware da NSO, chamado Pegasus, funciona até sem clique da vítima, o que é chamado de zero-click, e foi usado contra 1.400 usuários em 2019.

Em 2025, a mesma juíza já havia proibido a NSO e aplicado multa de US$ 4,4 milhões, concordando com o WhatsApp de que a empresa abusou da infraestrutura do app. Apesar de ter vencido o caso principal, o WhatsApp não convenceu a juíza de que houve nova violação, porque faltaram provas claras e convincentes. A juíza disse que os autores escolheram limitar o nível de detalhes das provas e assumiram um risco calculado.

As provas apresentadas dependeram apenas do depoimento de Andrew Blaich, investigador de segurança da equipe de inteligência de ameaças da Meta. Ele afirmou ter encontrado 23 novas contas de WhatsApp com sinais técnicos e comportamentais que a Meta já associou a testes da NSO. O WhatsApp não quis detalhar como chegou a essas contas, porque revelar os métodos dificultaria o combate futuro a empresas de spyware.

Defensores de liberdades digitais criticaram a decisão e afirmaram que seria um tiro no pé o WhatsApp divulgar publicamente seus métodos de rastreamento. A pesquisadora Natalia Krapiva, da Access Now, disse que exigir esse tipo de divulgação para responsabilizar a NSO levaria à impunidade total da indústria de spyware. Até a publicação, WhatsApp e NSO não tinham respondido aos pedidos de comentário.