Às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro, a ESET analisou um site falso que se passava pelo Tribunal Superior Eleitoral e prometia uma consulta de situação eleitoral. Na prática, a página dizia a todo visitante que havia débitos em aberto com a Justiça Eleitoral e oferecia um Pix para quitá-los, mas o dinheiro não ia para o Tesouro Nacional. O endereço analisado já saiu do ar, mas a estrutura pode reaparecer em outros domínios.
Funciona assim: a vítima informa o CPF e recebe uma tela de 'Dados do Eleitor' com nome completo, CPF e campos mascarados de título, zona e seção. Em testes, o nome da mãe também aparecia e os dados estavam corretos. Os pesquisadores não sabem de onde vêm essas informações, mas isso sugere que os criminosos têm acesso a bases com dados de brasileiros, possivelmente vazadas antes. Em seguida, aparece uma cobrança de R$ 47,90, somando multa, encargos e taxa de regularização, com ameaças de perda do direito ao voto e de benefícios. Em todos os CPFs válidos testados, a resposta foi a mesma: pendência e cobrança idêntica. Ou seja, não há consulta real.
No pagamento, o recebedor do Pix é uma empresa com sede em Curitiba, e não o Tesouro Nacional. Não foi possível saber para quem o dinheiro segue. Em abril, o próprio TSE já havia alertado para golpes parecidos, com mensagens de WhatsApp e cobrança de R$ 66,80.
Para evitar a armadilha, vale lembrar que a justificativa de ausência no primeiro turno pode ser feita sem custo pelo e-Título, pelo Título Net ou em cartório eleitoral, até 3 de dezembro. Para o segundo turno, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027. A multa real é de R$ 3,51 por turno e só deve ser paga pelos canais oficiais. Os sinais de golpe incluem domínio que não termina em jus.br, taxa de regularização inexistente, todo CPF com pendência e recebedor diferente do Tesouro Nacional.
Se você pagou, procure seu banco pelos canais oficiais e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, pois o prazo é curto. Registre boletim de ocorrência na delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado. Como seus dados podem ser usados em outros golpes, desconfie de contatos que citem essas informações e acompanhe se há contas ou cadastros abertos em seu nome. A orientação da fonte é desconfiar de cobranças não solicitadas, digitar o endereço oficial e conferir o nome do recebedor antes de confirmar qualquer Pix.

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