Pesquisadores de segurança revelaram detalhes de três ataques contra organizações japonesas nos quais a inteligência artificial (IA) foi peça-chave. Em um deles, a IA comandou a operação; nos outros, ela ajudou um operador humano a planejar e criar ferramentas. A empresa TrendAI analisou três servidores expostos usados pelos criminosos, que guardavam ferramentas de reconhecimento, listas de alvos, resultados e históricos de comandos.
No primeiro caso, os criminosos usaram o CyberStrikeAI, uma ferramenta de teste de invasão de código aberto, operada por 44 agentes de IA que cuidam de cada etapa do ataque: encontrar falhas, invadir, manter o acesso, roubar dados e gerar relatórios. Pelo menos 19 organizações foram alvo, sendo 16 no Japão, tudo em um curto período de outubro de 2026. A IA também gerava formulários e páginas de login falsas em japonês, o que facilita golpes de phishing. Um segundo caso foi conduzido por uma pessoa com ajuda de um grande modelo de linguagem (LLM), e um terceiro usou a IA apenas para criar as ferramentas e scripts do operador, com ataques a equipamentos de Cisco, Citrix, F5 e Yamaha.
Um dos ataques do segundo caso invadiu um servidor de sistema de informações geográficas (GIS) que usava senhas padrão de fábrica, levando registros cadastrais e comerciais, credenciais do Windows e dados de e-mail. A campanha durou 24 dias em agosto e setembro de 2026. Os pesquisadores não encontraram provas de que os três incidentes sejam do mesmo operador.
O problema vai além do Japão. Segundo a Microsoft, a IA reduziu drasticamente o tempo entre descobrir uma falha e usá-la em ataques, para bem menos de 24 horas. Em outro caso citado, um grupo usou o framework ARTEX para entrar em mais de 2.250 contas do Microsoft 365, por meio de um aplicativo de backup na nuvem comprometido. Na Coreia do Sul, a polícia identificou sete suspeitos ligados a invasões a mais de 90 organizações; em 38 delas, os criminosos exigiram 360 milhões de wons (cerca de US$ 270 mil) para não vazar dados, e pelo menos 8,2 milhões de registros foram roubados.
A conclusão dos pesquisadores é que a IA não criou tipos novos de ataque, mas deixou os criminosos mais rápidos e capazes de testar milhares de portas abertas ao mesmo tempo, em qualquer idioma. Para quem administra sistemas, a orientação é a mesma de sempre: manter softwares atualizados, trocar senhas padrão e proteger o acesso a equipamentos expostos na internet, seguindo as recomendações oficiais de cada fabricante.

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