A Cloudflare publicou o relatório trimestral de ameaças DDoS referente ao 3º trimestre de 2026, cobrindo julho, agosto e setembro. Ataques DDoS são tentativas de derrubar um site ou serviço mandando uma quantidade enorme de tráfego falso ao mesmo tempo, como uma multidão empurrando a porta de uma loja até ela não conseguir atender ninguém. O relatório foi produzido pela equipe de inteligência de ameaças da própria empresa.

Segundo os dados, a rede da Cloudflare barrou automaticamente 18,2 milhões de ataques na camada de rede e 14,4 trilhões de requisições HTTP em DDoS nesse período. Isso equivale a cerca de 197 mil ataques por dia, ou um ataque a cada 0,44 segundo. O número representa um aumento de 208% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Os ataques de curta duração e porte médio, típicos dos serviços de aluguel de DDoS chamados de booters, ficaram mais frequentes e miraram principalmente empresas de software, apostas e cassinos e tecnologia da informação.

Por outro lado, os ataques hipervolumétricos, que passam de 1 Tbps, caíram de 805 no 2º trimestre para 251 no 3º. A queda coincide com ações das autoridades no começo de 2026 que desmontaram quatro das maiores botnets de dispositivos IoT, redes de aparelhos infectados como câmeras e roteadores, chamadas Aisuru, KimWolf, JackSkid e Mossad. Mesmo assim, botnets desse tipo continuam fortes, com novas variantes como Dysphoria e Evooo1Bot. A família Mirai chegou a 46,5% de todo o tráfego barrado na rede no trimestre.

Também houve mudança nas técnicas. Os ataques CLDAP, que usam servidores de diretório para amplificar respostas enviadas à vítima, dispararam no 1º semestre e depois caíram para apenas 0,05% dos ataques no 3º trimestre. Já os ataques de DNS por amplificação subiram 215%, chegando a 3,43% do total. Os floods UDP, que bombardeiam portas aleatórias do alvo, passaram de 14,06% para 31,31% dos ataques na camada de rede.

Em relação a países, os Estados Unidos foram o alvo mais atacado, seguidos pela China, e a Indonésia entrou no top 3. Canadá e Israel também subiram no ranking. Já a mídia e a publicação seguem como o setor mais atacado, mas com fatia cerca de um quarto da do trimestre anterior, o que mostra ataques espalhados por mais setores.

Para se defender, a Cloudflare diz que oferece proteção DDoS gratuita e automática em todos os seus serviços e que disponibiliza um feed gratuito de botnets para provedores de hospedagem, nuvem e internet, usado por mais de 800 redes no mundo. Para quem não é cliente, o relatório recomenda acompanhar as tendências no Cloudflare Radar. A empresa afirma ainda que protege mais de 20% da web.