Um podcast do APNIC, com o cientista-chefe Geoff Huston, analisa as consequências econômicas do forte aumento de investimentos em inteligência artificial e na construção de data centers. Segundo a fonte, esses investimentos previstos somam centenas de bilhões, e possivelmente trilhões, de dólares no mundo, o que já ganha peso em escala nacional.
Quem usa tecnologia já sente parte disso: componentes como memória RAM, dispositivos de armazenamento e placas de processamento gráfico (GPUs) ficaram bem mais caros, enquanto a oferta continua limitada. Mas o impacto vai além do setor de TI. Quando uma parcela grande da atividade econômica depende de apostas sobre o futuro, uma desaceleração ou um colapso pode tirar dinheiro de investimentos produtivos em outras áreas.
Boa parte desses projetos se baseia em expectativas de retorno que podem não se concretizar, mas as dívidas usadas para construir os data centers continuam existindo. Se os projetos fracassarem, os investidores arcam com as perdas, seja vendendo ativos por valores menores, seja distribuindo o prejuízo entre quem financiou.
A fonte chama atenção para o fato de que, na prática, essas decisões são tomadas por bancos, gestoras e investidores institucionais, em nome de muitas pessoas. Como exemplo, o fundo de previdência da Austrália administra mais de 4 trilhões de dólares australianos, o que pode expor os australianos a esse risco mais do que imaginam. O mesmo vale para fundos de pensão no Canadá, no Reino Unido, na União Europeia e na Ásia, e especialmente nos Estados Unidos, onde empresas de IA já são componentes comuns de carteiras diversificadas.
Os efeitos também chegam ao dia a dia. Os data centers de IA consomem muita mão de obra e materiais, e pagam bem por isso, o que pressiona a construção civil, inclusive a de moradias. Além disso, a demanda crescente aumenta a pressão sobre as redes elétricas e contribui para contas de energia mais altas para famílias e empresas. A localização dessas instalações também afeta as comunidades ao redor.
Segundo Huston, nos Estados Unidos esses projetos ficaram tão grandes que dois empreendimentos de escala parecida muitas vezes não cabem no mesmo estado, precisando ser instalados em locais separados para não sobrecarregar a infraestrutura elétrica local. A fonte ressalta que nada disso foi fruto de um planejamento econômico global, e que o desafio é mundial. A fonte não traz orientações práticas de proteção para o público.

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