Na divulgação de resultados desta segunda-feira (02/11), a Apple mostrou que estocou muito mais produtos e componentes, sobretudo memória para computadores. O estoque subiu de US$ 11,09 bilhões no trimestre anterior para US$ 14,54 bilhões no último trimestre fiscal, alta de 31,1%. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 154,3%.

Para entender a lógica, pense em alguém que compra sacos de arroz antes de o preço subir. A Apple está comprando memória agora porque o custo dela disparou. Segundo o CEO John Ternus, os preços da memória estão em um patamar "sem precedentes", e a empresa espera custos ainda maiores no próximo trimestre, que vai até dezembro, e aumentos contínuos depois disso.

A previsão de margem bruta da Apple para o fim do ano, entre 45% e 46%, foi explicada principalmente pelo custo maior da memória. No trimestre de setembro, a margem foi de 47,9%. Para compensar parte desse aumento, a empresa já reajustou preços no fim de junho em alguns Mac e iPads e, em setembro, em alguns iPhones.

A Apple também informou que aumentou em US$ 33 bilhões suas obrigações de compra de componentes entre junho e setembro, dado que deve aparecer no relatório anual divulgado no dia seguinte. O COO Sabih Khan, responsável pela cadeia de suprimentos e pela fabricação, reforçou esse aumento e não descartou novos reajustes de preço nos aparelhos.

Por fim, a empresa atribuiu à falta de componentes as vendas fracas do iPad. A receita do produto foi de US$ 6,2 bilhões, abaixo dos US$ 6,7 bilhões esperados por analistas e 10% menor que no ano anterior. Enquanto iPhone e Mac superaram as projeções, o iPad foi um dos únicos segmentos que não cresceram.