O NCSC, centro de segurança cibernética do Reino Unido, publicou uma versão atualizada de suas orientações sobre o uso do TLS, o protocolo que protege dados trafegando na internet, como em sites e aplicativos. A novidade são configurações recomendadas para a criptografia pós-quântica, um tipo de proteção pensado para resistir a computadores quânticos, que ainda não existem em escala suficiente para quebrar a criptografia atual, mas que podem existir no futuro.
A atualização acompanha a publicação recente da RFC 10024 pela IETF, a força-tarefa de engenharia da internet, que trata de mecanismos híbridos de troca de chaves para o TLS 1.3. Segundo o NCSC, essas configurações servem tanto para uso geral quanto para proteger informações do governo classificadas como OFFICIAL.
O NCSC recomenda tanto opções híbridas, que combinam criptografia pós-quântica com a tradicional, quanto opções puramente pós-quânticas. As híbridas são as mais difundidas em bibliotecas de uso comum hoje. Já as opções puramente pós-quânticas ainda aguardam a publicação da versão final da RFC correspondente, por atrasos processuais, mas já existem em grandes bibliotecas e podem ser usadas.
Um ponto de atenção é que apenas o TLS 1.3 suporta criptografia pós-quântica, e as versões anteriores não serão atualizadas. Quem ainda usa TLS 1.2 ou versões mais antigas deve migrar para o 1.3 o quanto antes. Além da resistência quântica, a versão mais nova traz vários outros benefícios de segurança.
Pelos prazos publicados pelo NCSC, atividades de migração de alta prioridade devem ser concluídas até 2031. Para muitas organizações, proteger a confidencialidade dos dados em trânsito entra nessa categoria, e por isso o órgão recomenda começar a mudança agora. O NCSC também informou que pretende atualizar em breve sua orientação sobre IPsec, quando as RFCs correspondentes forem finalizadas, e incluir recomendações de autenticação pós-quântica para o TLS.

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