Ataques de LLMjacking, que sequestram o uso de modelos de linguagem de IA, estão gerando cobranças fraudulentas enormes em serviços de nuvem. Segundo pesquisadores do Google Threat Intelligence Group (GTIG) e da Mandiant, algumas organizações perderam mais de US$ 100 mil em um único dia, e os custos acumulados em certos casos chegaram a US$ 1 milhão. A informação foi divulgada em 3 de novembro, por meio do BleepingComputer.

Funciona assim: há dois grupos de criminosos. Um procura endpoints de LLM expostos na internet e outro rouba chaves de API válidas de máquinas desprotegidas. Depois, eles vendem o acesso a serviços chamados de LLM mixers, que oferecem uso não autorizado de modelos de IA a preços baixos. Essas plataformas usam infraestrutura de proxy para repassar os pedidos dos clientes aos serviços invadidos. Como a chave é válida, o provedor registra tudo como consumo legítimo e cobra da vítima pelos tokens usados, uma espécie de conta de luz de alguém que não ligou o aparelho.

Os pesquisadores citam exemplos como o Jet Night, que vende planos de acesso ilimitado por US$ 60 por mês, e o serviço newapi[.]pro. Um criminoso executou mais de 500 mil chamadas de API em menos de oito horas usando chaves de terceiros, e o Jet Night repassou quase US$ 1 milhão em custos de tokens à organização vítima. O Google também identificou o grupo UNC6993, que parece agregar chaves roubadas e vendê-las em fóruns clandestinos.

Os invasores entram por credenciais de nuvem expostas ou comprometidas, chaves de contas de serviço, tokens do GitHub, tokens de sessão ativos e chaves de API de LLM. Dentro do ambiente, procuram senhas, logs, bancos de dados e gerenciadores de segredos, criam contas de backdoor ou inserem chaves SSH para manter acesso contínuo. Os pesquisadores também observaram criminosos explorando a CVE-2026-40217, falha no LiteLLM que permite executar código arbitrário no servidor pelo endpoint de teste de guardrails com código personalizado. Em alguns casos, a infraestrutura da própria vítima foi usada para hospedar proxies não autorizados.

O Google recomenda priorizar o gerenciamento de identidade e acesso (IAM) e proteger a cadeia de suprimentos. Na prática, isso significa usar plataformas centralizadas para trocar e gerenciar chaves sensíveis, dar a cada usuário apenas os privilégios necessários para sua função e negar todas as permissões que não sejam explicitamente exigidas, inclusive o acesso a serviços de LLM na nuvem. Também vale exigir autenticação multifator resistente a phishing, monitorar serviços de IA não autorizados (a chamada shadow AI) e definir limites de uso e de gastos com APIs.

Por fim, os logs de auditoria da nuvem e de inferência devem estar ativados e monitorados, para identificar ativação não autorizada de serviços, checagens suspeitas de credenciais, uso incomum e tentativas de desligar os registros. Quem usa essas plataformas deve revisar suas chaves e limites de gasto agora.