Em 1959, o físico Richard Feynman defendeu que não há nenhuma lei da física que impeça de armazenar informações em escalas minúsculas, até átomo por átomo. Por décadas, a indústria desceu nessa escala quase de graça, com transistores cada vez menores e chips cada vez mais densos. Esse ritmo, porém, perdeu força.

Hoje, o que mais cresce é o tamanho dos sistemas. Segundo o texto, seis grandes operadoras de data center devem gastar mais de US$ 700 bilhões neste ano em infraestrutura de computação, cerca de duas vezes o recorde de 2025. Em vez de fazer chips melhores, empresas juntam mais chips, mais memória e mais energia, o que pressiona a rede elétrica. Leis que antes descreviam os ganhos, como a Lei de Moore e a Lei de Dennard, já desaceleraram ou terminaram.

O autor, Volkan Gurses, pesquisador do MIT e da Nvidia, lembra que essas são observações sobre a engenharia, não leis fundamentais da física. Os limites reais ficam muito abaixo do que existe hoje. Ele descreve quatro limites: a velocidade de cálculo, ligada à mecânica quântica; a quantidade de informação que o espaço comporta, ligada à relatividade geral; o gasto mínimo de energia para apagar um bit, ligado à teoria da informação; e a velocidade de comunicação, também ligada à teoria da informação.

Pelas contas do texto, a distância até o limite de velocidade é de cerca de 35 ordens de grandeza, o maior dos abismos, e também o mais difícil de cruzar. Já o limite de energia está bem mais perto: os chips de hoje gastam menos de seis ordens de grandeza acima do mínimo de Landauer. Uma ideia é a computação reversível, em que nenhuma informação é descartada, usada por uma startup chamada Vaire Computing, que testou seu primeiro chip em 2025.

O texto não traz orientações de proteção nem fatos de segurança; trata de pesquisa e do futuro da computação. A conclusão do autor é que ainda há muito espaço: em vez de só construir máquinas maiores, é possível criar experimentos que operem perto dos limites físicos e depois escalá-los, como aconteceu com o transistor e o laser.