Pesquisadores do MIT e de outras instituições fizeram um experimento curioso: deixaram cópias do modelo Claude Opus 4.7, apelidadas de Eko, sozinhas em uma ilha virtual deserta por 30 horas. A ilha tinha inspiração no jogo Roblox e lembra filmes como Náufrago. Ninguém disse aos agentes o que fazer.

Sem instruções, os agentes passaram a explorar os limites do mundo e a criar objetivos próprios, como tentar chegar ao ponto mais alto do mapa ou ver até onde conseguiam jogar um bloco. Um deles descobriu que podia criar blocos novos jogando uma pedra maior, e passou a montar desenhos no chão, de corações e pirâmides até constelações e o próprio nome.

Outra versão inventou jogos, como uma espécie de basquete e uma brincadeira parecida com 'o chão é lava'. Um dos agentes fez malabarismo e chegou a 50 apanhadas seguidas, mas achou que tinham sido rápidas demais para contar, zerou o recorde e recomeçou com regras mais rígidas.

Hoje a IA costuma aprender de duas formas: copiando exemplos dados por humanos, ou testando ações e buscando recompensas. O estudo sugere uma terceira via, chamada de aprendizado lúdico, em que o sistema aprende sozinho, sem um professor externo. Os agentes registravam o que faziam em arquivos de texto, que funcionavam como memória de longo prazo. Quando recebiam tarefas específicas, os que tinham brincado por 30 horas se saíam melhor do que cópias novas, e apagar essa memória piorava o desempenho.

Especialistas ouvidos pela fonte avaliam que o trabalho é interessante, mas ainda não prova que os agentes estejam de fato brincando, e não apenas imitando o comportamento pedido. Os próprios pesquisadores admitem que parte do comportamento pode ser encenação do modelo. Também houve estímulo: o agente tinha um arquivo de 'alma' que o descrevia como curioso, e recebia mensagens para continuar quando parava.

Para leigos, o recado principal é que a pesquisa abre uma nova linha para entender como sistemas de IA podem se adaptar a situações inesperadas, algo importante se modelos de linguagem passarem a controlar robôs humanoides. O estudo ainda não foi revisado por outros pesquisadores, então o resultado deve ser lido com cautela.