A startup de IA Recursive lançou seu primeiro modelo, o Flint, na quarta-feira (21/10). Ele é um modelo gratuito para programação que roda direto no computador do usuário, como um notebook, e foi construído em grande parte com a ajuda da própria IA.

Segundo a empresa, um sistema de pesquisa automatizado chamado Eureka Machine ajudou em quase todas as etapas do desenvolvimento. Isso permitiu que uma equipe pequena criasse o modelo do zero em menos de quatro meses. Uma comparação simples: é como um arquiteto que usa um assistente para testar projetos o tempo todo, em vez de desenhar cada detalhe sozinho.

A ideia por trás do Flint é o que se chama de autoaperfeiçoamento recursivo, em que uma IA ajuda a construir IAs melhores, que por sua vez constroem outras ainda melhores. Alguns pesquisadores temem que isso possa escapar do controle humano. No caso atual, a versão da Recursive é mais limitada: um assistente de pesquisa supervisionado por pessoas, que produziu um modelo pequeno o bastante para um notebook.

Por rodar localmente, o Flint permite que desenvolvedores o usem sem internet, mantenham seu código privado e evitem as cobranças por volume de texto processado que serviços de nuvem costumam cobrar. Ele pode ser baixado gratuitamente no Hugging Face sob a licença Apache 2.0, que permite uso e modificação livres. Segundo a fonte, o modelo usa apenas 2,5 bilhões de seus 40 bilhões de parâmetros por tarefa, o que o torna leve, e é bem menor que o Muse Spark Open, da Meta, que usa 816 bilhões de parâmetros e exige pelo menos um terabyte de memória.

Nos testes da empresa, o Flint gerou cerca de 131 tokens por segundo em um MacBook Pro com chip M4 Pro, aproximadamente o dobro dos modelos semelhantes. A Recursive também afirma que ele superou outros modelos com menos de 50 bilhões de parâmetros no SWE-Bench Verified, um teste que mede a capacidade de corrigir bugs reais de software. A empresa reconhece que o Flint precisa de mais orientação do que assistentes pagos e recomenda dividir tarefas grandes em etapas menores. Um teste do Wired citado pela fonte foi positivo.

Para quem acompanha o mercado, a Recursive foi fundada no ano passado e levantou 650 milhões de dólares, com empresas como GV, Nvidia e AMD Ventures entre os apoiadores. A empresa também disse que um acordo de computação de 410 milhões de dólares com a Amazon Web Services buscava mais 'quantidade de agentes' do que de funcionários. O objetivo de longo prazo, segundo o CEO Richard Socher, é que o sistema alcance o autoaperfeiçoamento recursivo completo, com humanos podendo interromper o processo se algo sair errado.