Pesquisadores do MIT apresentaram hoje, 30 de outubro, o LLM Election Observatory, um painel público que observa como os principais chatbots de IA respondem a perguntas sobre as eleições de meio de mandato (midterm) dos Estados Unidos, marcadas para 2026. A equipe é liderada pelos professores Adam Berinsky, Chara Podimata e Charles Stewart III, que já estudam votação, administração eleitoral e os efeitos da IA na tomada de decisão.

A ideia é simular o que uma pessoa comum perguntaria a um chatbot. Os pesquisadores usam um conjunto fixo de perguntas sobre temas como certificação das eleições, assuntos polêmicos, previsões de resultados e cobertura de notícias. A cada poucos dias, essas perguntas são refeitas, e a equipe compara como as respostas mudam conforme a localização do usuário, o partido político declarado, a identidade e outros fatores.

Por que isso importa? Porque muita gente já usa chatbots para entender política, e não há um registro histórico confiável do que cada eleitor viu em cada momento. Se uma IA responde uma coisa hoje e outra daqui a algumas semanas, fica muito difícil reconstruir depois o que as pessoas receberam. Por isso, o projeto quer documentar esse ambiente de informação enquanto ele se desenvolve e disponibilizar os dados para outros pesquisadores e para o público.

Os pesquisadores destacam que a precisão dos fatos é só o primeiro ponto. Diferenças de enquadramento, de ênfase, de tom, de grau de incerteza e de fontes citadas podem influenciar a opinião das pessoas, mesmo quando a informação está correta. Segundo Podimata, duas pessoas podem sair de uma mesma conversa com percepções bem diferentes dos mesmos fatos sem nunca perceber isso. Em relação a redes sociais, essas diferenças são ainda mais difíceis de observar, porque cada conversa com um chatbot é quase invisível para quem está de fora.

Berinsky faz um alerta direto ao eleitor: um chatbot que soa confiante não é necessariamente preciso, já que essas ferramentas respondem com tom de autoridade mesmo quando erram, omitem partes da história ou se apoiam em fontes fracas. Ele diz que as respostas podem ser um ponto de partida, mas não devem ser o fim da pesquisa. Ele também lembra que a IA pode ser usada para espalhar desinformação em grande escala, mas que diálogos baseados em evidências com um chatbot já mostraram reduzir a crença em teorias da conspiração.

A equipe ainda não concluiu a análise completa dos dados. Por enquanto, os resultados são preliminares, e ainda não é possível dizer quão estáveis são essas diferenças nem como elas evoluem ao longo da campanha. O objetivo declarado não é afirmar que a IA é boa ou ruim para as eleições, mas mostrar, de forma transparente, que informações os sistemas de IA mais usados estão dando às pessoas sobre o pleito.