Timor-Leste, que ocupa a metade leste da ilha de Timor e tem cerca de 1,44 milhão de habitantes, vive uma nova etapa no desenvolvimento da sua Internet. Segundo o relato publicado no blog da APNIC, a expansão digital é vista como peça-chave para diversificar uma economia que historicamente depende do petróleo. Em 2026, estimativas indicam que 62% da população usa a Internet, sobretudo pelo celular, contra 35% em 2021.

A grande novidade é o TLSSC, sistema de cabo submarino de propriedade da estatal Cabos de Timor-Leste (CTL), que começou a operar comercialmente em julho de 2026. Ele trouxe a primeira conexão internacional por fibra submarina do país, reduzindo a dependência de links por satélite e rádio, que são mais caros e têm menor capacidade. Também estão previstos o ACC-1, da Inligo Networks, com parada em Dili, e o Hawaiki Nui 1, da BW Digital, com conclusão prevista para 2027 a 2028.

Na conexão local, a Autoridade Nacional de Comunicações está criando o TL-IXP, um ponto de troca de tráfego onde provedores podem trocar dados dentro do próprio país, sem passar por rotas internacionais. A Starlink tem papel importante, inclusive para levar conexão a 450 vilarejos remotos em 2026, mas a infraestrutura ainda se concentra em Dili.

No campo da segurança de rotas, o país tem avançado com RPKI, sistema que permite às operadoras declarar quais redes podem anunciar determinados endereços. Cerca de 60% do espaço de endereços anunciado tem autorizações válidas, mas a filtragem de rotas inválidas (34,42%) ainda precisa crescer. Já o IPv6, protocolo que amplia os endereços disponíveis na Internet, está em apenas cerca de 9% de capacidade, abaixo da média do Sudeste Asiático, de 36,5%.

Na segurança, o governo criou em agosto de 2026 o Comitê Interministerial de Cibersegurança e Digitalização dos Serviços Estatais (CICDE), que substitui um grupo de trabalho anterior, e avança em uma legislação sobre cibersegurança, crimes digitais e infraestrutura crítica. Equipes de resposta a incidentes também estão em formação. A fonte não traz orientações práticas específicas ao público, e o recado geral é de fortalecer a infraestrutura e as competências técnicas locais.