A Anthropic, dona do Claude, entregou à SEC, a agência de mercado de capitais dos EUA, o documento S-1 necessário para abrir capital na bolsa. Nele, a empresa reconhece que seus data centers, que sustentam a IA, dependem cada vez mais de gás natural, combustível fóssil cujo componente principal é o metano.

Para quem não é da área, um data center é um grande galpão cheio de servidores que processam tudo o que a IA faz. Ele consome muita eletricidade e, por isso, a empresa precisa de energia barata e disponível. A Anthropic admite que a disputa por eletricidade e por locais com energia suficiente está intensa, e que alguns de seus data centers planejados usarão turbinas a gás instaladas no próprio local.

O documento também mostra riscos. Se o gás ficar mais caro ou faltar, os custos sobem. A empresa diz que o aumento das temperaturas globais, consequência da queima de combustíveis fósseis, também pode elevar seus custos operacionais, com mais gasto em eletricidade e água para resfriar os servidores. A Anthropic ainda prevê concorrência por gás e por capacidade de dutos com grandes provedores de nuvem.

Há ainda a pressão de moradores e órgãos reguladores. Segundo a empresa, a alta nas contas de luz já pode atrapalhar projetos, e reguladores podem exigir encargos adicionais. Em um cenário extremo, ela pode precisar adiar ou abandonar projetos de data center, o que, segundo a própria companhia, poderia limitar seu crescimento.

Na prática, a notícia mostra que o avanço da IA depende de energia fóssil e levanta dúvidas sobre o custo e o impacto ambiental dessa expansão. Como se trata de um documento de investidores, o alerta é mais um retrato dos riscos do negócio do que um incidente de segurança.