Ontem, quarta-feira (28/10), a Microsoft divulgou o balanço do trimestre de julho a setembro e, pela primeira vez, informou em dólares quanto o Azure faturou: US$ 33,2 bilhões, alta de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior. Até agora, a empresa costumava dar apenas o percentual de crescimento ou marcos de receita vagos.

Para quem não acompanha o setor, o Azure é a plataforma de Cloud da Microsoft, uma espécie de aluguel de computadores que ficam em grandes centros de dados e são acessados pela internet. Empresas usam o serviço para rodar aplicativos, oferecer SaaS (programas vendidos por assinatura e acessados pelo navegador) e criar e executar modelos de IA. Segundo a própria Microsoft, o Azure é hoje sua maior e mais rápida linha de produtos e respondeu por cerca de 36% da receita trimestral da empresa, de US$ 92,3 bilhões.

A novidade importa porque investidores agora conseguem colocar os números lado a lado com a AWS, da Amazon, e o Google Cloud, da Alphabet, que já informam sua receita de nuvem em dólares todo trimestre. A Alphabet, que também divulgou resultados na quarta, disse que o Google Cloud faturou US$ 30,7 bilhões no mesmo período, deixando o Azure um pouco à frente. Só que o Google Cloud, que inclui também as assinaturas do Workspace, quase dobrou a receita em relação ao ano anterior, crescendo cerca de duas vezes mais rápido que o Azure, segundo cálculos do TechCrunch.

A receita do Azure ficou cerca de US$ 850 milhões acima dos US$ 32,3 bilhões que os analistas esperavam, e o crescimento de 48% também superou a previsão de 44% a 45% feita pela diretora financeira, Amy Hood, em julho. O Azure aparece dentro de um dos dois novos segmentos de negócios que a Microsoft criou neste trimestre, chamado Agents and Infra, que reúne o Azure e a parte de nuvem do Microsoft 365. Esse segmento faturou US$ 76,8 bilhões, alta de 25%.

A Amazon divulga seus resultados nesta quinta-feira (29/10), e analistas esperam crescimento da AWS, que é a maior nuvem do mercado. Ninguém espera que a Microsoft a ultrapasse agora, mas, com todas as empresas informando valores reais em dólares, a disputa pelo mercado de nuvem ficou mais transparente.