Um relatório do MIT Sustainable Supply Chain Lab, o State of Supply Chain Sustainability Report 2026, ouviu 1.810 profissionais de cadeias de suprimentos em 91 países. Para 83% deles, a sustentabilidade é importante ou muito importante para o sucesso de longo prazo do negócio, o maior índice da série de sete edições. Na prática, porém, querer não é o mesmo que ter capacidade de fazer.

Muitas empresas dizem que se comprometeram ainda mais com o tema, mesmo com mudanças de política nos Estados Unidos que deixam o meio ambiente em segundo plano. Ao mesmo tempo, 68% relatam que a incerteza com tarifas as obrigou a adiar, reduzir ou abandonar estratégias de sustentabilidade. Quase um terço viu interrupções ligadas a tarifas aumentarem as próprias emissões operacionais. Pense em alguém que planeja a dieta de todo o mês, mas cai na realidade quando o preço dos alimentos sobe.

A estrutura interna também é um ponto fraco. Entre empresas com metas públicas, só 51% têm uma equipe formal de sustentabilidade que reúne áreas diferentes, o modelo mais associado a incorporar o tema nas decisões do dia a dia. Apenas 33% colocam a supervisão do tema no conselho. Quando as empresas têm equipes formais, 57% dizem que a sustentabilidade entra nas decisões com frequência ou sempre; quando a responsabilidade fica em uma única área, o índice cai para 13%.

O relatório também mostra que a IA ajuda muito na operação, com 86% reduzindo desperdício de materiais e 81% reduzindo uso de energia. Mas entre usuários mais maduros de IA agêntica, apenas 53% viram queda nas emissões totais de gases de efeito estufa, enquanto 29% viram aumento. Em armazéns automatizados com IA, 78% relatam mais consumo de energia e 76% mais desperdício, mas só 24% usam monitoramento em tempo real para acompanhar esses efeitos.

No transporte de cargas, 43% das frotas ainda rodam majoritariamente ou totalmente com diesel convencional, e só 8% fizeram uma transição completa para energia de baixa emissão. Na Europa, 84% das empresas de frete dizem que mudanças de política afetaram positivamente a descarbonização; na América do Norte, são 44%. Um ponto positivo é a colaboração em emissões Scope 3, indiretas, que saltou de 31% para 58% em um ano. A conclusão do relatório é que o compromisso não é o principal limite; governança, responsabilidade, infraestrutura tecnológica e medição são os obstáculos atuais.