As eleições legislativas dos Estados Unidos de 2026, marcadas para 3 de novembro, vão definir até onde vai o poder do presidente Donald Trump nos seus dois últimos anos de mandato. Segundo a reportagem do The Verge, a economia e o custo de vida devem dominar a campanha, mas temas ligados à tecnologia também aparecem com força entre os eleitores.

Entre eles estão os data centers, que são grandes galpões cheios de servidores que alimentam serviços de nuvem e IA. Moradores temem pagar mais caro pela energia consumida por eles. Também entram na discussão a segurança da IA, a expansão de sistemas de vigilância como o Flock e a proposta de taxar a riqueza de bilionários na Califórnia.

Na Califórnia, a Proposição 45 quer encurtar prazos de avaliações ambientais para projetos considerados essenciais, o que, segundo grupos ambientalistas, poderia dar um atalho para desenvolvedores de data centers escaparem de fiscalização. Já a Proposição 40 prevê um imposto único de 5% sobre bilionários do estado. A reportagem cita que bilionários do setor de tecnologia doaram mais de US$ 340 milhões para a campanha contrária a ela, e que Mark Zuckerberg obteve ações especiais da Meta para não precisar sair do estado.

O tema dos data centers virou um dos mais sensíveis da eleição. Em cidades do Texas, moradores protestam contra projetos e, em San Marcos, a prefeitura se tornou a primeira do estado a proibir essas instalações. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia investem pesado em campanhas: um comitê ligado ao investidor Marc Andreessen e ao presidente da OpenAI, Greg Brockman, já gastou US$ 45 milhões, e um grupo apoiado pela Anthropic diz ter arrecadado US$ 80 milhões.

A OpenAI também montou um centro de operações para identificar desinformação e abusos de suas ferramentas, como o ChatGPT, durante a votação. Segundo a reportagem, Elon Musk doou pelo menos US$ 276 milhões a grupos republicanos desde julho. Se os democratas recuperarem o controle do Congresso, podem convocar executivos de IA para depor e cobrar mais transparência sobre data centers e incidentes de segurança.

Para quem acompanha tecnologia, o recado é que a regulação da IA e a infraestrutura que ela exige estão cada vez mais na pauta política. Não há orientações de proteção ao usuário na fonte, então vale acompanhar as decisões do novo Congresso e as posições oficiais das empresas sobre o tema.