Enquanto esperam anos por uma ligação à rede elétrica e por novas turbinas, alguns data centers de IA estão produzindo a própria energia com motores de avião adaptados, segundo reportagem do New York Times publicada na terça-feira.
Esses motores são retirados de aviões aposentados e reformados para queimar gás natural. Ninguém os considera uma usina definitiva, mas eles mostram o quanto a oferta de energia ficou para trás em relação à expansão da IA.
O principal atrativo é a velocidade. Segundo o analista Audun Martinsen, da Rystad Energy, com unidades desse tipo um data center pode entrar em operação em cerca de 24 meses. Já ligar 100 megawatts à rede no norte da Virgínia leva cerca de sete anos, segundo a Agência Internacional de Energia. Um executivo da Mitsubishi Power disse à Bloomberg que a maior parte da nova capacidade deve chegar até 2031.
Essa demora já custa negócios. No mês passado, a Microsoft desistiu de ser a principal cliente do data center da Nscale em Loughton, na Inglaterra, depois que a concessionária local disse que só conseguiria fornecer energia suficiente no início ou meados dos anos 2030.
A xAI, empresa de Elon Musk, instalou oito turbinas adaptadas no Mississippi para alimentar seu data center Colossus 2, em Memphis. As unidades são da ProEnergy, que reforma um motor da GE comum em jatos da Boeing. A OpenAI também usa turbinas a gás em seu primeiro site Stargate, em Abilene, no Texas, onde a Crusoe, startup que constrói data centers, encomendou 13 unidades da ProEnergy em abril.
Em setembro, a Crusoe desistiu de um negócio de US$ 1,25 bilhão para comprar 29 turbinas a gás da Boom Supersonic, startup que também vende motores de avião supersônico como usinas para data centers. Segundo a Crusoe, a empresa ainda pretende usar turbinas.
O governo Trump também pressiona nessa direção, incentivando os data centers a gerar a própria eletricidade.
Há um porém: esses motores adaptados são menos eficientes e poluem mais do que turbinas feitas para usinas a gás convencionais, e é preciso usar mais deles para gerar a mesma potência. Por isso, alguns especialistas veem a solução como algo de curto prazo, com eficiência e impacto ambiental ganhando peso em um ou dois anos.

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