Na terça-feira, 3 de novembro, ocorreram as eleições legislativas (midterms) dos Estados Unidos, e grupos políticos que apoiam ou se opõem à indústria de IA gastaram milhões de dólares tentando influenciar o resultado e o futuro das regras para a inteligência artificial. Segundo o TechCrunch, o resultado foi misto, e alguns candidatos muito apoiados acabaram derrotados.
Do lado da indústria, os comitês de ação política (PACs) American Mission e Building the Future gastaram juntos US$ 4,8 milhões para apoiar Darline Graham, candidata ao Senado pela Carolina do Sul, que perdeu. A American Mission é o braço republicano do Leading the Future (LTF), grupo apoiado pelo presidente da OpenAI, Greg Brockman, e pela gestora de capital de risco Andreessen Horowitz. Também houve gastos de mais de US$ 500 mil cada para os republicanos Aaron Flint, em Montana, e Laurie Buckhout, na Carolina do Norte, que perderam. Já o braço democrata do LTF, o Think Big, ajudou o deputado Jared Moskowitz, da Flórida, a se reeleger.
Do lado que defende mais regras, a Public First, apoiada pela Anthropic, apoiou republicanos que perderam, mas teve mais sucesso com democratas e doou US$ 3 milhões a um PAC que apoia o senador estadual da Califórnia Scott Wiener, que liderava a disputa no momento da publicação. Já a Guardrails Alliance, que quer tornar o dinheiro de empresas de IA um problema político, gastou mais de US$ 1 milhão contra cada um dos candidatos Jimmy Gomez e Aaron Flint, que perderam, e US$ 300 mil a favor de Angela Gonzales-Torres, que venceu Gomez.
Fica difícil separar o efeito dos gastos ligados à IA da onda democrata que marcou a eleição. Elon Musk, que teria investido meio bilhão de dólares em apoio a republicanos, também viu muitos candidatos perderem. Para o LTF, a eleição geral não foi o foco principal: o grupo prefere gastar nas prévias partidárias, que escolhem os candidatos de cada partido, porque ali pode construir reconhecimento de nome e ajudar candidatos a definir suas agendas de política de IA. Nas prévias, o LTF gastou US$ 27,38 milhões, incluindo US$ 8 milhões contra o deputado estadual de Nova York Alex Bores, que perdeu sua candidatura ao Congresso em junho.
Charlie Blaettler, diretor político da Guardrails Alliance, tem outra explicação: o LTF não quer que seu dinheiro vire um problema nessas eleições. Ele lembrou a prévia do Senado de Michigan, em que o grupo de lobby pró-Israel AIPAC gastou cerca de US$ 30 milhões para apoiar Haley Stevens contra Abdul El-Sayed; Stevens desistiu e El-Sayed venceu a vaga. Segundo Blaettler, o público não gosta de bilionários da IA e desconfia dos gastos políticos da indústria de tecnologia, então gastar em disputas competitivas poderia prejudicar os próprios candidatos.
A principal disputa entre esses grupos é se o Congresso deve criar uma estrutura nacional de regras para IA que substitua as leis estaduais, ou se os estados poderão manter suas próprias proteções. Nenhum lado parece disposto a recuar: o LTF, que defende uma regra nacional única, planeja continuar gastando nas eleições de 2028, e a Guardrails Alliance quer seguir se opondo a candidatos apoiados pela indústria de IA. Blaettler afirma que os anúncios do LTF raramente falam de IA, focando em temas populares, enquanto os da Guardrails tratam de quem recebe dinheiro da indústria. Para ele, o objetivo é tornar o dinheiro da IA politicamente tóxico.

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