Os democratas dos Estados Unidos podem reconquistar o controle do Congresso nas eleições de novembro. Se isso acontecer, o partido terá de decidir como lidar com a inteligência artificial, um tema novo e politicamente complicado para o país.

Pesquisas indicam que os democratas devem assumir pelo menos uma das casas do Congresso. Isso daria ao partido o comando de comissões, o que permitiria chamar presidentes de empresas de IA para depor e exigir documentos sobre o funcionamento interno dessas companhias. Temas como incentivos fiscais ligados aos data centers e incidentes recentes de hacking também estão na mira.

A IA já aparece em propagandas eleitorais, principalmente porque a instalação de data centers mobilizou moradores de diferentes posições políticas. O presidente Donald Trump é contra a maior parte das regras para a tecnologia, enquanto pesquisas mostram que os americanos temem o efeito da IA sobre empregos e educação. Ainda não há consenso sobre o tamanho da fiscalização.

Estrategistas democratas dizem que o tema está aberto para quem quiser ocupá-lo. Eles citam ideias como acompanhar o desenvolvimento de modelos avançados, lidar com a perda de empregos e com o consumo de energia dos data centers. Uma agenda mais ampla incluiria pesquisadores independentes dentro dos laboratórios, testes de segurança antes dos lançamentos e mais responsabilidade das empresas por danos causados por suas ferramentas.

Um grupo político recém-criado, o Tomorrow Together, investiu cerca de 4 milhões de dólares em anúncios em disputas para a Câmara, criticando candidatos republicanos por estarem desconectados do tema. Já a estratégia de longo prazo mira a eleição presidencial de 2028. Nos bastidores, há ainda o caso de um doador que se arrependeu de financiar um comitê pró-IA.