Há anos, sites de notícias e outras editoras investem em fazer suas páginas aparecerem no topo da busca do Google, porque cada clique é um leitor. A relação era de troca: as editoras alimentavam o índice de busca com conteúdo, e o Google mandava visitas em troca.

Essa relação mudou. Em 2024, o Google lançou o AI Overviews, um resumo gerado por IA que aparece no topo da busca com links para as fontes logo abaixo. Em maio de 2025, veio o AI Mode, que substitui a busca tradicional por uma interface parecida com a de um chatbot. Na prática, muita gente lê a resposta pronta e não clica em lugar nenhum.

Relatos citados pela fonte mostram queda forte de tráfego. Um levantamento do Wall Street Journal, de junho de 2025, apontou redução de visitas para Business Insider, The Washington Post, HuffPost e o próprio WSJ desde 2022. Segundo a Similarweb, a busca responde por menos visitas ao The New York Times, caindo de 44% para 35,5% em três anos. A DMG Media, dona do Daily Mail, disse ao regulador britânico que a taxa de cliques caiu até 89% entre junho e julho de 2025.

O Google diz que a web está prosperando e que os cliques se mantêm estáveis, com mais envio para fóruns, vídeos e podcasts. Mesmo assim, editoras entraram com processos, e vários deles não tiveram sucesso na Justiça dos EUA. Algumas editoras passaram a depender de redes sociais, newsletters e assinaturas, e há uma opção que permite sair dos resumos de IA sem perder posição na busca, mas isso não resolve a queda de visitas.

O Google fez algumas mudanças, como destacar mais as fontes ao passar o cursor sobre um link, e anunciou um programa-piloto com 400 editoras que licencia conteúdo para novos recursos de IA. A fonte também relata que o Reddit considera deixar de depender do Google e que organizações como a Common Sense Media veem risco para crianças nos resumos. Se esses acordos vão recuperar a relação entre Google e editoras, ainda não está claro.