Ontem, 25 de outubro, a pesquisadora Erica Windisch, da Cyberdione Labs, publicou um relatório chamado Tailworm. Nele, ela descreve como um único aparelho invadido dentro de uma rede Tailscale pode ser usado para obter acesso root (de administrador total) em outros servidores que ele consegue alcançar. Os testes foram feitos em laboratório, com as versões 1.104.2 do Tailscale e 0.29.5 do headscale, a versão autogerenciada que algumas redes usam no lugar do serviço hospedado da empresa. Não há registro de ataques em redes reais.
Pense na rede como um prédio em que cada sala tem a chave das salas vizinhas. Se um invasor entra em uma única sala, ele pode tentar usar essas chaves para alcançar o restante. No caso do Tailscale SSH, o acesso é decidido pela identificação do aparelho e por uma regra de acesso, e não por senha ou chave. Por isso, o ataque não exige senhas roubadas, mas precisa que o invasor já tenha controle de um aparelho, algo que, segundo o relatório, pode acontecer por aplicativo web vulnerável, pacote de software adulterado, Phishing ou credenciais roubadas. O Tailscale não cria essa primeira invasão.
Segundo a pesquisa, o encaminhamento de portas do SSH é o ponto central. No serviço hospedado do Tailscale, esse recurso pode ser desligado regra por regra. No headscale 0.29.5, ele não pode ser desligado, por isso o relatório recomenda tratar cada permissão SSH nessa versão como se desse acesso root no destino. A pesquisadora também afirma que, em redes com o Tailnet Lock ativado, a etapa final não se completou. Ela classifica o resultado como capaz de se espalhar pela rede, mas alguns pesquisadores questionaram essa descrição.
O relatório reúne 11 descobertas, incluindo conectores de aplicativos, o recurso serve, o relay DERP e o próprio headscale. A pesquisadora considera o problema do SSH preocupante, e diz que o conector de aplicativos, um recurso experimental chamado conn25, pode ser ainda mais impactante para algumas organizações. Vale notar que todas as conclusões vêm apenas desse relatório, e o Tailscale ainda não confirmou as alegações técnicas específicas. Segundo a pesquisadora, o código de prova de conceito não é público. Ela afirma ter enviado o relatório à equipe de segurança da empresa antes da publicação, enquanto parte da comunidade criticou a divulgação sem coordenação prévia. O Tailscale disse, por meio do vice-presidente de engenharia Mike Shaver, que recebeu o relatório, que já investigava áreas parecidas e que não recomenda desativar o Tailscale SSH para todos.
Até agora não há correção oficial nem identificador CVE para essa falha, e por isso não há patch para aplicar. As medidas disponíveis são de configuração: escrever regras de acesso como pares simples de origem e destino, desligar o encaminhamento de portas do SSH onde for possível, remover permissões de conectores de aplicativos de aparelhos que não precisam delas, remover encaminhamentos do serve que apontem para um socket Unix, ativar a expiração das chaves dos aparelhos e, se um aparelho for comprometido, excluí-lo no painel de controle, pois formatar a máquina não revoga chaves já copiadas. O Tailscale também sugere o modo de verificação do SSH e as atualizações automáticas, embora esse modo não corrija a escalada de privilégio, apenas adicione mais uma barreira. Enquanto não houver correção oficial, siga as instruções do fabricante e mantenha os sistemas atualizados.

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