Sistemas bancários, a Receita Federal americana (IRS), companhias aéreas e serviços públicos de vários países dependem de programas escritos em COBOL, uma linguagem criada em 1959. Esses códigos antigos funcionam há décadas e ninguém quer mexer neles, porque qualquer erro pode derrubar tudo. A COBOL, por exemplo, sustenta mais de 40% dos sistemas de internet banking, segundo a IBM, e também serviços como a Previdência Social dos EUA.

Na segunda-feira, 26 de outubro, a OpenAI afirmou ter melhorado seus modelos de IA para converter softwares antigos em linguagens modernas, como C++, Java, Kotlin, Python e Rust, sem mudar o que o programa faz. Segundo a empresa, uma migração só é considerada bem-sucedida se todos os testes passarem. Em seus testes, o modelo GPT-6.1 Sol manteve o comportamento original em 87% dos casos com baixo esforço de raciocínio, chegando a 98% com esforço maior. Já modelos anteriores tiveram resultados bem piores.

A Anthropic também tem apostado nesse mercado e propôs usar seu agente de programação Claude Code para migrar COBOL, mas não apresentou testes de desempenho. Após o anúncio, as ações da IBM, que ganha dinheiro ajudando empresas a manter sistemas antigos, caíram forte.

Especialistas ouvidos pelo The Verge reconhecem que a IA avançou, mas dizem que os testes da OpenAI não mostram o principal desafio: quebrar um sistema complexo em partes menores que possam ser trocadas uma a uma. Reescrever código, segundo eles, não é o mesmo que substituir um sistema. Um dos entrevistados citou um sistema com 250 milhões de linhas de COBOL, e lembrou que também há dados em vários formatos e integrações com outros sistemas.

Para os pesquisadores, a verificação humana continua essencial. Eles sugerem comparar o funcionamento dos sistemas antigos e novos com os mesmos fluxos de trabalho e usar métodos matemáticos de verificação. Como lembrou um dos especialistas, mesmo que a IA resolva 99% do código, o 1% restante pode conter falhas difíceis de achar. Não há orientação de proteção para usuários na fonte; a recomendação geral é acompanhar as instruções oficiais dos fornecedores dos sistemas.