A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) entrou com uma ação contra a REPS & Company, uma empresa intermediária de ingressos. Segundo a acusação, ela burla mecanismos criados para limitar quantos ingressos uma pessoa pode comprar para um mesmo evento, comprando milhões de ingressos de shows e espetáculos muito disputados para revender depois com grande lucro.
A denúncia, apresentada pelo Departamento de Justiça a pedido da FTC, cita a empresa e três executivos: o CEO Ryan Pancheri, o presidente Brian Archibald e o diretor de operações Nicholas Totagrande. Eles são acusados de violar a lei Better Online Ticket Sales Act, que proíbe contornar medidas de segurança e controles usados pelas vendedoras de ingressos para fazer cumprir os limites de compra online.
Segundo a acusação, desde 2022 a REPS usou diversas táticas ilegais. A empresa teria comprado ingressos para pelo menos 83.500 eventos, somando mais de 18,5 milhões de ingressos por cerca de 1,3 bilhão de dólares, e gerado pelo menos 120,8 milhões de dólares de lucro na revenda. Como exemplo, um único show da turnê de Beyoncé em Kansas City, em 2023, teria rendido 833 mil dólares, com 1.300 contas usadas para comprar 7.624 ingressos.
Para se passar por compradores diferentes, a empresa teria usado milhares de contas criadas com nomes, endereços e telefones de terceiros, cartões de crédito virtuais, serviços de proxy de IP e navegadores que mascaram a identidade e a localização. Quando as vendedoras bloqueiam uma compra suspeita, a empresa teria mudado pequenos dados das contas para não ser barrada, e documentos internos mostrariam discussões sobre como evitar esses bloqueios. A maior parte da equipe ficaria nas Filipinas.
Vale lembrar que essas são alegações: a decisão caberá ao tribunal. Para o consumidor comum, o caso mostra por que é difícil conseguir ingressos por preço justo em eventos concorridos. A FTC informa que não pede dinheiro nem faz ameaças por telefone ou e-mail, e que golpes podem ser denunciados em seu site oficial.

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