Na quinta-feira, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) anunciou que não vai permitir a venda no mercado americano de aparelhos fabricados com chips de vigilância produzidos por uma empresa chinesa. Foi a primeira vez que a agência aplicou essa proibição, depois que começou a valer um conjunto mais rigoroso de regras.

Os dois produtos bloqueados são um transmissor de vídeo sem fio e uma câmera de painel de carro. Eles usam chips da HiSilicon, subsidiária da Huawei. Segundo a própria FCC, a empresa vende esses chips como feitos para o mercado de vigilância e com algoritmos de detecção de rostos embutidos.

As novas regras passaram a valer em 13 de outubro e proíbem equipamentos que tenham componentes inteligentes de empresas que estão numa lista chamada covered list. Trata-se de uma relação pública mantida pela agência desde uma regulação de 2019, com produtos de vigilância por vídeo, comunicação e tecnologia em geral considerados ameaças à segurança nacional. A HiSilicon está nessa lista.

Antes dessas mudanças, as regras da agência não impediam aparelhos legais de conter peças fabricadas por empresas da lista. Por isso, a decisão marca uma mudança importante na forma como os EUA controlam a entrada de tecnologia de origem chinesa.

O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a agência vai continuar atuando com vigilância para proteger a segurança nacional, e classificou os produtos como possível spyware, programa espião. A Huawei não respondeu de imediato ao pedido de comentário.