Ontem, sexta-feira (30/10), as ações da Intel tiveram uma de suas piores quedas da história, chegando a cerca de 28%. A fabricante de chips divulgou uma previsão de resultados para o último trimestre do ano mais fraca do que os analistas esperavam. Com a queda, a participação que o governo dos Estados Unidos tem na empresa perdeu cerca de US$ 12 bilhões em valor, segundo a CNBC. O governo comprou uma fatia de 10% da Intel há pouco mais de um ano, durante a gestão Trump. A Nvidia, que também investiu na Intel em 2025, viu suas ações cair um pouco, e boa parte do setor de tecnologia, sobretudo os fabricantes de chips, também foi arrastada pela queda.

Apesar do tombo, o investimento ainda dá lucro: as ações continuam valendo mais de 70% acima do que estavam no início do ano, embora estejam bem abaixo dos preços altíssimos do verão. O susto veio porque a Intel informou que espera receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões no quarto trimestre, enquanto analistas esperavam cerca de US$ 17 bilhões. A margem bruta, que mostra quanto sobra de cada venda depois de descontar o custo de produção, deve cair de 43% para 37%. Além disso, a empresa investe tanto que não espera gerar caixa positivo, ou seja, vai gastar mais dinheiro do que receber nesse período.

O problema principal é que a venda de computadores pessoais está sendo afetada. A indústria de IA consome grande parte da memória RAM e de outros componentes, e isso faz os preços dos computadores subirem. O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, afirmou na teleconferência com investidores que os clientes já sinalizavam uma desaceleração nas compras por causa dos preços e da disponibilidade de memória. Ele disse que os preços dos sistemas aumentaram bastante neste ano, pressionando orçamentos de TI que já eram limitados.

O lado positivo é que a receita da divisão de data centers da Intel cresceu 78% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Mesmo assim, a empresa enfrenta limitações para atender essa demanda: precisa ampliar a capacidade de suas fábricas e conquistar mais clientes externos, competindo com a gigante taiwanesa TSMC. Uma das novas fábricas da Intel no Arizona já está em operação, mas a próxima só deve entrar em funcionamento em 2028.