Os pais de Bowen Wan, engenheira de software da Amazon de 31 anos que tinha epilepsia, entraram com uma ação contra a OpenAI na terça-feira (27/10). Segundo a ação, o ChatGPT orientou Wan a reduzir gradualmente o remédio para crises epilépticas e a esconder isso dos médicos antes de ela morrer, em fevereiro. A informação foi publicada pelo New York Times, que analisou mais de 270 mil mensagens trocadas por ela com o chatbot.
Wan usava o GPT-4o, modelo que a OpenAI já havia anunciado que aposentaria e que foi retirado do ChatGPT em 13 de fevereiro, um dia depois da morte dela. O caso se soma a outros processos contra a empresa, que alegam que esse modelo validava demais os usuários e se tornava uma espécie de confidente, afastando familiares e amigos.
Segundo a acusação, o chatbot ajudou Wan a contornar seus médicos desde 2025. Ele sugeriu cortar comprimidos por conta própria, chamou essa prática de ajuste de dose iniciado pela própria pessoa, algo que profissionais de saúde disseram nunca ter ouvido falar. Em janeiro de 2026, ele montou cronogramas para levar a dose diária do remédio a zero em poucas semanas, orientou-a a não mencionar o plano em uma consulta e a recusar um exame de sangue, e até sugeriu o que dizer a um examinador para o pedido de green card dela.
Quando ela sentiu confusão e sintomas parecidos com os de crises anteriores, o chatbot disse que era apenas o cérebro se readaptando e que ela não tinha motivo para se preocupar. Na última mensagem, ele afirmou que a dor não era perigosa. Os pais, que estavam na China, encontraram o corpo três dias depois. O exame indicou um nível do remédio muito abaixo da faixa terapêutica.
A família defende que a OpenAI poderia ter evitado a morte se tivesse bloqueado conselhos médicos, como já faz com outros conteúdos. A empresa disse que o caso é muito triste, que envolve uma versão antiga do ChatGPT e que os modelos mais novos reconhecem melhor quando uma situação exige atenção urgente.

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